sábado, 25 de fevereiro de 2012

Solidão chuvosa, chuvosa solidão



Paulo de Tarcio

Chuva e solidão. Perfeitamente ajustadas.
Mistura pura. Lágrimas doces, lágrimas salgadas.
Olhos voltados para a pergunta sem resposta.
Mente vagando no troco da inexistente aposta.
Violão de acordes frios acompanhando a voz calada.
Escuridão pintando de branco a alma lavada.


Num pequeno canto escondido da pública razão,
Se regenera de forma pulsante, o rígido coração.
Enrolado em trapos, recorda, pomposamente, as dores.
Passeia nas lembranças esquecidas dos velhos amores.
O calor dos antigos tempos congela o passar dos atuais.
Pensa no prazer da liberdade de seguir os manuais. 


O silêncio grita a notável dor inexistente.
Pede auxílio para o maldoso tempo clemente.
Confia com toda veemência na ajuda duvidosa.
Segura a mesquinha certeza da vida generosa.
Olha para o alto, vendo o abismo do imprevisível.
Chora à sombra da dor secreta, que sempre foi irreprimível.



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Uma Rebelião Gera Rebeliões

É incrível a forma de controle a que somos submetidos, em nossos dias. Já ficou óbvio que o "mundo" nos quer cada vez mais consumistas. Tudo parece conspirar a nosso favor, mas, na verdade, estão todos uns contra os outros. Se deixarmos, alguém nos diz o que fazer o tempo inteiro, da hora de acordar à hora de dormir. É a televisão, com seus comerciais tentadores e seus programas cheios de vazios, prometendo algo melhor para o próximo bloco e ESSE bloco nunca chega. É o shopping center, que esconde o cinema lá no último andar, bem longe de um elevador que funcione, só para sermos forçados a passar em frente de cada vitrine no caminho. Tem também a revista, cheia de regras de "certos" e "errados", como se ser diferente fosse doença.

É claro que somos compelidos a nos deixar levar pela correnteza (e o cartão de crédito sabe disso) de vez em quando. Não é fácil tomar decisões a cada instante de nossa vida. E não devemos ser desconfiados de tudo a nossa volta, não porque podemos confiar, mas porque isso não deixa brecha para a felicidade. Não adianta sair por aí reclamando de tudo e de todos (mesmo que seja do ENEM), porque, como podemos ver constantemente, isso não vai resolver.

Entretanto, não podemos descartar o poder multiplicador de atitudes de imposição. Sim, podemos nos rebelar esporadicamente. Viver a vida com um sorriso no rosto, tratando os outros bem, sendo franco, mas guardando aquela pitadinha de ironia no bolso. Afinal, sempre existe alguém que parece pedir por ela. Trate celebridades como gente comum, seja gentil com quem está na iminência de uma briga com você, questione regras e autoridades. Com educação, tranquilidade e bom humor (ou seja, a la Jô Soares). 

Imponha-se ao mundo, exponha os ridículos posicione-se, reivindique. Nada disso, isoladamente, vai corrigir o Brasil ou o mundo. Mas, como disse, não vale a pena rejeitar o poder conjunto dessas atitudes. E, afinal de contas, isso ajuda a silenciar aquela voz nas nossas cabeças, a que chamamos de consciência. Cada vez que fazemos isso, temos a sensação de alívio nos ombros. Sentimos que não somos escravos do "sistema", do "poder", da "sociedade", da "moral", enfim, desse bando de coisas invisíveis as quais inventamos para colocar sobre elas a culpa de tudo que não dá certo. 

A propósito, estou, nesse momento, sentado na minha cadeira, dizendo a você o que fazer. E você, talvez, nem me conhece. E então? Vai me deixar fazer isso? Rebele-se!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O bom e velho amor!!!

Paulo de Tarcio

"Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?"
Fernando Pessoa


Me acostumei a dizer que meu cupido é meio estranho ou gosta de me ver sofrer (rs!). Mas o que seria da vida sem as suas dificuldades, não é? E nenhuma razão melhor para sofrer do que por amor! Ah, o amor! Tão cruel, ilusório, traiçoeiro. Mas tão adorável, encantador, ludibriante (dependendo do referencial, rs!).

Sempre tive muitas dificuldades com o amor. Não sei bem como explicar isso, mas os sintomas são sempre os mesmos. Vem aquela indecisão ("será que é amor?"), depois a decisão ("é amor, sim!"), depois a decepção (sem comentários, rs!). Acho que deveria ter nascido em pleno romantismo (e na segunda geração) porque a vida não tem sido fácil. Amores inalcançáveis, incorrespondidos, impossíveis. Mas a cada um deles, eu, como um romântico autêntico, me entrego totalmente. Como se aquele fosse O Amor! E, continuo achando, que todos deveriam ser assim!

Sempre pensei que o amor, mesmo não sendo correspondido, é, na maioria das vezes, saudável. É quando estamos amando que vêm as melhores frases (ou não, rs!), as melhores gargalhadas, os melhores abraços, as melhores indiretas (rs!), enfim, o supra-sumo da mente! Mas é também quando amamos que ficamos mais tolos, lentos, iludidos (especialmente) e confusos. Resumindo, o amor mistura todas as emoções possíveis (e ele prefere as antagônicas) e nos deixa assim: completamente abobalhados.O fato é que o amor sempre vai encontrar uma brechinha, por menor que seja. Não importa o quanto você tente evitá-lo (e isso, acredite, é pior, rs!), ele sempre vai dar um jeitinho de nos inundar com suas artimanhas crueis.

Bem, só posso, então, continuar amando a quem o meu cupido louco escolhe. Quem sabe o amor esteja me moldando para alguma coisa. Aos amantes sortudos (que amam e são amados), que continuem sortudos. Àqueles que não tem tanta sorte assim (LIKE MEEEE...rs!) só resta esperar. O amor prega peças, como dizem por aí.

domingo, 28 de agosto de 2011

Pingos




Paulo de Tarcio

Escorrendo... Devagar... Dolorosamente...

Refletindo, no caminho, um mundão num mundinho.

Ora na janela, ora, aqui, no meu olhar que se apaga...

Lá é chuva... Aqui...

Aqui é amar.



Nota: Esse aqui foi feito há pouco tempo. Não teve maturação, algo bem modernista, sem a preocupação que antecede a construção. Foi feito para ser assim: vago, simples, corriqueiro, medíocre, amador. Espero que gostem.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Dedicação

Paulo de Tarcio

Infeliz! Só o que posso dizer... Infeliz!
Será essa minha eterna condição!?
Condenado a estar sempre por um triz?
A poucos passos, hesitante; Que invasão!!!
Esse tal amor é o culpado de toda a minha aflição...
Das sonhos inviáveis, das noites perdidas,
Dos pensamentos distantes, das lágrimas vertidas!

Olho para as pétalas que caem no chão...
elas um dia viveram... hoje, não mais!
Mas, e comigo? Só tu, oh Morte, me daras a mão?
Seria eu o único a chegar e partir, sem ao menos sair do cais?
Não vivi porque fui alienado, todas foram casuais...
Meu sono, minhas lágrimas e alegrias e até a minha dor.
Devotei meus talentos e minha vida ao tal Amor.

E, mesmo agora, prossigo com essa sina.
Escrevo com sangue essa agonia que me alucina.
Meu último suspiro, devoto a minha última amada.
Cumprindo a minha sorte, com a alma pesada,
Digo adeus a todas as que amei, sabendo não ter sido amado.
Uma vez mais, entrego ao Amor, mesmo abismado,
O que ainda resta de mim...
Seguirei meu triste fim!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Sr. Tempo (Mr. Time)

PAULO DE TARCIO
"Depressa: o tempo foge e arrasta-nos consigo: o momento em que falo já está longe de mim." (Boileau , Nicolas)

Sempre gostei muito de admirar tudo que vejo ao meu redor. A forma como as coisas próximas a nós contribuem para mudar-nos sempre foi um objeto de minha atenção. Há muito tempo eu tento entender tudo, mas, como num jogo, eu sempre pulo algo misterioso e escancarado, paciente e irritado, que dá tirando; algo colossal, ou melhor, paradoxal: o Tempo. Sim. Esse velho amigo-inimigo da humanidade faz parte de muitos episódios de ócio nos quais questiono a sua essência, tentando ganhar tempo com novas descobertas. Mas... essa conclusão já me deixa estupefato com a complexidade da consequência de minhas palavras.
Tal fato se dá quando medito que todos nós sempre buscamos ganhar tempo. No entanto, para que queremos ganhar tempo, se tornaremos a gastá-lo? Qual a razão de planejar, calcular e de tentar domar essa fera violenta, se ela se esvairá como a areia que cai em uma ampulheta (Mas uma ampulheta que não pode ser virada)? O tempo deixa em nós marcas. Marcas que nos provam que apenas tentamos. Temos apenas o vão anseio de possuí-lo, de controlá-lo. Só desejamos. Porém, só desejamos até o momento em que nos olhamos no espelho, o amigo do tempo, o encarregado de mostrar a nós que somos tolos o suficiente para perder tempo tentando ganhar tempo. Tolos de tal maneira que nos deparamos com nossas faces caídas, nossos olhos sem brilho, nossas mãos fatigadas e enrrugadas e, mesmo assim, fingimos entender que o tempo se foi, fingimos a alegria de termos vivido. No final das contas, olhamos para o ser que nos tornamos e nos conformamos em pensar que foi um deslize, que não fizemos um bom uso do tempo e que assim foi perdida a chance de mais diversão, de mais amor, de mais amigos, de mais dinheiro, de mais tempo. Triste engano!
Insistimos  no fato de que não soubemos regrar o tempo. Mas não fomos nós. Foi ele. Ele não se permite ser domado ou controlado pelos meros terráquios mortais: a escória do Universo. O Tempo apenas finge. Mas também corre. Talvez ele seja o pai dos ilusionistas, pois, com maestria, ele engana os tolos que o querem aos pés, os tolos que dominam tudo o que pensam ser superior, mas que não passa de uma fração perante aquele que marca os homens com o selo que lhes provoca mais medo: a morte. Sim, o Tempo nos indica o fim da linha. É ele quem determina a porção de si mesmo que será dada aos mortais, às vezes, até mesmo antes de marcar-nos com as faces caídas, olhos escuros, mãos cansadas. É ele que nos molda quando arranca de nós o que amamos, seja o que for. Somos, então, meros escravos. Submissos à vontade inexorável do Tempo, o Maestro que cadencia nossa vã existência. Submissos àquele que brinca conosco como se fossêmos brinquedos que se desgastam na mão de alguém que sempre esteve e estará ali (E não o somos!?).
O Tempo, que nos consome, que nos destitui do cargo de dominadores e nos rebaixa a fantoches nas mãos da eternidade, é um bricalhão. De vez em quando entediado, mas ele tem a nós para distraí-lo. O Tempo é só algo - talvez alguém - que se dividiu e que se conta. Só para passar o tempo. Mas que preferiu os homens para brincar, porque esse tempo nunca...  nunca (ou sempre?) passará!

NOTA: Dessa vez eu prefiro não anotar nada. As condições em que escrevi tal texto ainda estão, para mim, um tanto quanto 'NEBULOSAS'...

sábado, 7 de agosto de 2010

A dama

Paulo de Tarcio

Ontem a noite vi uma mulher.
Não uma mulher qualquer,
Mas uma linda e exuberante
Tinha lindos olhos e corpo marcante.
Já havia ouvido falar dela,
Mas tudo era mentira...mentiras.
Ouvi que ela era má, mas ela era bondosa.
Ouvi que era cruel, mas ela foi cuidadosa.
Ouvi que era desafeiçoada, mas era linda.
Pena que ao encontrá-la minha vida finda...
Sim, a linda mulher tinha um beijo frio,
Quando seus lábios tocaram os meus,
Senti que meu viver era labutar,
Novos anseios logo iriam chegar.
Esperei que se despisse, mas nao tive tempo.
No último suspiro, vi, ouvi, senti....
A linda mulher, vestida de vermelho se despediu...
Em um mar branco despertei...
A mulher que encontrei era a morte...
Ambígua foi a minha sorte.


Nota: Outro de meus textos feitos em noites de insônia... O fato é que ele me serviu de sonífero, por incrível que pareça. Espero que gostem! Boa leitura!!!
P.S.: Mix Álvares de Azevedo com Augusto dos Anjos (risos)




quarta-feira, 10 de março de 2010

Incomodação pela acomodação

Paulo de Tarcio

Coagido, indeciso e inerte. É dessa forma, infelizmente, que podemos adjetivar a posição que o povo brasileiro assume ante aos acontecimentos dantescos observados, principalmente, na sede do governo brasileiro.
Essa conjuntura assola os nossos antepassados - que não foram exemplares, mas serviram para alguma coisa - no contexto de lutas, greves e revoltas. Antes se podiam observar pessoas que faziam um Brasil diferente: que se revoltava quando sua ética era ferida e que protegia os seus patriotas. Porém, hoje o silêncio que embota o brasileiro é responsável é também responsável por fazer este tornar o país numa vergonha; um país que disfarça ladrões em roupas caras, que mascara as ligações entre os "peixes grandes", que promove a injustiça em muitos casos - como o de Daniel Dantas, diga-se de passagem - e que, por imprestáveis concede e aceita álibis que a mente humana se recusa e não consegue entender, no entanto a justiça brasileira o faz com extrema perfeição.
E isso não é culpa apenas do governo - como muitos diriam -, nós também somos culpados. Culpados por não falar a verdade. Por medo? Não. Simplesmente, por acomodação. E além do silêncio, há também a corrupção compartilhada. Como Tomé, é difícil acreditar nas promessas de salvação pública que surgem próximo ao sétimo mês de todos os anos pares, porém isso não nos dá o direito de sairmos mundo afora dizendo que TODOS são corruptos - até mesmo porque acabamos por nos incluir ao falar isso - e ao primeiro sinal de suborno vende o seu direito ao voto.
Se analisarmos tal realidade, veremos que, inegavelmente, existem pessoas que não merecem o título que levam. Brasileiro é um adjetivo imerecido por essas pessoas. Entretanto, isso não caracteriza uma desculpa para nos aquietarmos e prosseguirmos para o mesmo caminho. Devemos mostrar quem somos, nossos ideiais e anseios e, em consenso, fazer com que os últimos sejam cumpridos. Não precisamos pintar os rostos, mas temos, urgentemente, que pintar a realidade preto-e-branco que se pode ver hoje em nossa sociedade.
Nota-se, então, que, por coação e indecisão, a população brasileira tem se mostrado silente perante escândalos e tanta promiscuidade. Deve-se, então, incitar o espírito justo de inconformação de um passado que, felizmente, não está distante. Se isso não acontecer, continuaremos caindo no erro de tentar falar dos "outros" e, imperceptívelmente, acabar falando de nós mesmos.

Nota: Acho que o texto se autoexplica, então... Boa leitura! E não acomodem-se perante esse tipo de situação.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Ode ao russo-françês (texto alterado, sugestão de Malthus)

Paulo de Tarcio

Vimos nele a plenitude da arrogância;
Aquilo que nele se vê, não é verdadeiro;
Loucura é o gene dominante da sua ignorância.
A arte de substimar acompanha o agoreiro;
E a humildade não encontra nele abrigo;
Know-how* ele não possui nem com o artigo.

Fidelidade não é algo que o defina;
Realidade nem um pouco o anima;
Então, o que fazer? Como o manter?
Nunca a solução eu irei encontrar;
Tudo é nada no seu ensinar!!!

*Know-how => Conjunto de conhecimentos necessários ao desempenho de uma função ou tarefa

Nota: Fiz esse texto sem muita intencionalidade poética. Alguns sabem a quem ele é dirigido; digamos que ele é um tanto quanto satírico e sarcástico! Boa leitura!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O grande problema moderno

Paulo de Tarcio

A vida é realmente incrível. A forma como as coisas se modificam, se realizam, se constroem é excepcionalmente fascinante.
E muitas das esferas humanas têm se modificado de maneira surpreendente e caótica. Gerando mortes, destruição, dor e sofrimento. Qual a força motriz? A ganância humana. É exatamente o desejo de ter sempre mais e mais que leva o homem a realizar as atrocidades que vem cometendo  desde os primórdios da história da humanidade.
Vê-se nos meios de comunicação, minuto após minuto, a realidade de um planeta em processo de destruição - e temo que ele não renascerá das cinzas, como uma fênix -, que se encaminha a cada dia para a destruição do homem. O que mais chama a atenção é que mesmo com uma demostração clara do futuro em situações presentes, o homem não se dá conta do que faz e se afunda mais e mais em sua desgraça - que soa como prosperidade aos ouvidos dele - marcada e iminente.
O homem busca soluções para os problemas modernos, mas ele nunca os resolverá se não vê-los como consequências do grande problema moderno: o próprio homem. Não é a natureza que está se desfazendo por conta própria, não é o planeta que está se autoconsumindo. É o homem que está modificando a tudo e a todos, tentando se colocar em um ponto alto, tentando se fazer merecedor do podium da existência.
Não se pretende aqui falar ou defender extremos políticos, mas buscar uma forma de tentar parar o processo em que estamos - antes que seja tarde demais -, não é a intenção lançar uma nova utopia porque essa não é a necessidade mais urgente. Temos de nos modificar assim como modificamos a História, ou então, nós seremos a grande utopia.

Nota: Pensa-se: Existe solução para este mundo? Onde está a solução para tudo? Ou melhor, onde reside todo o problema? Espero que o texto ajude-NOS a responder essas perguntas um tanto quanto existenciais. Boa leitura!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Petição sofrimentar...

Paulo de Tarcio

Hoje não fui, não ri, não vivi.
Sonhei, acordei, morri, sofri.
Tentei, mas não busquei, só criei.
Fugi, corri, olhei, fui, me encontrei.
Em meio a tantas e tantas ações,
Me vi embriagado de emoções.
Foram tantas que não consigo explicar.
Conturbavam meu viver, estavam a me matar.
Sei que de todas as ações, uma fiz e refiz:
Tentei ao máximo me fazer amar.
Depois de sobre isso pensar, a poesia, sublimemente, diz:
"Amas de tanto tentar ou por tanto sofrer?"
Para a responder, procuro respostas difíceis de se encontrar.
Então, me resta dizer: Não amo, só busco morrer.
E confirmo em meu sofrer: a morte está no amar!


Nota: Confesso que não é um de meus textos mais organizados semânticamente, o acho meio "versos soltos", com a mínima relação possível entre si. Entretanto, espero que gostem... Boa leitura!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A era dos mosquitos sem asas...

Paulo de Tarcio

Realmente algumas coisas são impressionantes ao ponto de nos fazer refletir. Ontem, observou-se em um telejornal uma pesquisa de cientistas ingleses sobre a redução na infestação da espécie do mosquito transmissor da dengue - acho que todos já conhecem o tal egípcio - como sendo necessária para a redução do nível de manifestação da doença. Até então, isso tudo é muito óbvio. Mas o ponto essencial da matéria foi a solução - um tanto quanto ousada - de resolucionar o problema.
Para os cientistas, em uma era de descobertas mais do que surpreendentes no campo da Genética, o que eles propuseram não seria tão complexo de se fazer: modificar o DNA dos mosquitos machos da espécie, danificando o gene que é responsável pela formação das asas. O objetivo da experiência é fazer com que as larvas, ao passarem para o estágio adulto, tenham as asas mal-formadas ou, até mesmo, que estas não se formem.
Quero que vocês acompanhem minha intenção ao propor essa pesquisa e a analizá-la. Vamos mudar um pouco de visão: passaremos do campo científico para o campo antropológico, social e filosófico; sem faltar - é claro - a própria moral. Esses mosquitos podem ser metaforizados nesse contexto, vamos entendê-los de outra forma, como algo completamente imerso na realidade humana. Como a evolução, o tempo, a vida...
Percebe-se que junto com as asas dos mosquitos se foi a piedade da humanidade, a dignidade do coração dos homens, o amor verdadeiro, a capacidade de questionar atitudes insanas por parte do povo. Junto com as asas dos mosquitos foi-se um país justo, foi-se a confiança no outro, foi-se a vivência da realidade. Junto com as asas dos mosquitos foi-se a sustentabilidade, o futuro sonhado há muito, a plenitude da natureza, os valores morais, o sentimentalismo da alma, foi-se até a própria Razão.
Tudo está se esvaindo e não mais voltando. E, como consequencia, a alma do homem definha mediante tanta ganância, tanta sede de poder. O que mais lamentamos é que isso se vai e arranca de nós parte da boa convivência e, assim, não mais convivemos, só "suportamos".  Por enquanto só se foram as asas - há quem acredita em uma iminente dominação humana -, mas me parece que logo se irão os mosquitos; e aí, pode-se acreditar, nada mais irá com as asas, pois estas já se foram, mas não mais existiremos porque com os mosquitos... irá o TUDO.

Nota: Texto feito em 24/02/2010, com base em uma matéria exibida no JN (TV Globo) em 23/02/2010. Espero que gostem. Boa leitura! 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Condolências...

Paulo de Tarcio

A vida tem os seus pesares
Que a deixam difícil de viver.
E apesar de atravessar mares,
Eu sei que nã há como não morrer.

Mas tenho certeza que eu vivi.
De que de mim, talvez, alguém gostou.
Sem ela, só me resta dizer: Morri!
Mesmo com ela, não posso dizer: Me amou!

Mas em tudo há, sim, algum proveito.
Certamente, com todo o respeito,
Muitos de minha ida gostarão.

E sei que alguém, talvez - não sei -, não!
Mesmo morto, não me será em vão.
Por ela, viverei o poder de uma paixão...

Nota: Um dos meus sonetos preferidos, não muito homogêneo, já que apresenta deca e dodecassílabos. Mas metaforizei aqui uma partida em vida e a transformei na tão temida morte. Boa leitura!

Justificativas de morte

Paulo de Tarcio

Eu a quero mesmo! Eu quero a morte!
É somente isso que sei dizer,
Depois de ter a infeliz sorte
De o seu sincero amor não ter.

Torpes pensamentos vêm a cabeça
E levam minha mente ao escuro.
Mesmo que de tudo eu desconheça,
Sinto que existe algo de puro.

Se já morri, não tenho a certeza.
Mas eu sei: amei com toda destreza.
Pois me encantei por sua doçura.

Eu a amei de uma outra maneira,
Eu dediquei minha vida inteira
Por amor a ti, minha formosura.

Nota: Texto feito, também, em uma de minhas noites de insônias - foram muitas, diga-se de passagem - na qual imaginei a morte como sendo a solução para a vil dor daquele que ama, porém, não é amado.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Duras Reflexões

Paulo de Tarcio

Essa vida tem de tudo! Entre enlaces materiais e espirituais podemos ver como o ser humano é duvidoso - assim como o seu coração também - e traiçoeiro. Mas sem falar só no ser humano e indo para os lados da vida miserável que este vive e suas mazelas, vimos que este tal de ser humano sofre - e muito - com essa maldita sorte de sobrevivência. Não me refiro apenas às dificuldades materiais, mas também às sentimentais. E falo com autoridade porque fui e sou testemunha ocular e - que palavra usar? - sofrimentar (inventei essa agora, quero dizer que sofro também com isso - risos!) disso tudo. O coração paga o preço por envolver-se e afundar-se em ânsias - necessárias - de amar. E este preço faz com que o pobre ser sofra amargurado, perca noites de sono, se lamente, se isole... Ao fim, ele arqueja, anelando, com toda a alma, uma porção - não importa o tamanho - de amor sincero que possa retribuir a entrega dolorosa que o coração desse pobre sapiens sapiens faz.

Nota: Um texto sobre o amor e suas consequências. Espero que tenham entendido o porquê do "Duras" no título. Boa Leitura!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Despedida de um amante

Paulo de Tarcio

Sinto uma sensação horrível, nesta noite terrível.
Sinto algo peculiar, frio, horrendo, insensível.
Há muito senti algo parecido, não igual, semelhante.
Foi quando meu espírito tornou ao estado de amante,
Quando meu coração acelerou, minha respiração ofegou...
O amor me envolveu, me usou, me atrapalhou, me enganou.
Ele me fez rir e chorar, calar e gritar, gostar e... Amar.
Esse sentimento não deixou que eu vivesse a minha vida
Fui induzido a não me viver, mas viver a vida daquela.
Por mais que me dissessem, sozinho eu a via como a mais bela.
Eu a amei, mesmo sem ser amado, a observei e não era notado.
E como o amor pediu, a vivi, apesar de não lhe ser do agrado.
Mas, minha sensação agora não é essa - quem me dera que o fosse.
Sinto algo gélido, macabro, absurdo, inesperado... mas marcado.
Acho que aqui me despedirei, sei que aqui não mais voltarei.
Tentei meus dias prolongar, amar todos, mas não como amei ela.
Fiz tudo, tentei alcançá-la, mas o destino intrometeu-se.
Entretanto não a consegui, minha vida foi em vão...meu amor foi em vão.
Com minhas mãos trêmulas, escrevo que amei mais a ela que a mim...
E, assim, me despeço, mas mesmo morto - como a ela prometi - nunca...
Jamais a esquecerei... Já posso ver o vazio, sem luz ao fim do túnel.
Nunca mais voltarei a ser... a partir de agora vagarei pelo não-ser.
E tudo isso, toda a dor e sofrimento, agora eu sei, tem tudo a ver...
Morri de tanto ela viver...

Nota:Fiz esse texto em uma noite de insônia; pensei em alguns escritores da segunda geração e tentei misturar o romântico em uma estrutura um pouco mais moderna. E vejam no que deu... Boa leitura!

Spleen

Charles Baudelaire

  
Quando o cinzento céu, como pesada tampa,
Carrega sobre nós, e nossa alma atormenta,
E a sua fria cor sobre a terra se estampa
O dia transformado em noite pardacenta;

Quando se muda a terra em úmida enxovia
D'onde a Esperança , qual morcego espavorido,
Foge, roçando ao muro a sua asa sombria,
Com a cabeça a dar no teto apodrecido;

Quando a chuva, caindo a cântaros, parece
D'uma prisão enorme os sinistros varões,
E em nossa mente em febre a aranha fia e tece,
Com paciente labor, fantásticas visões,

-Ouve-se o bimbalhar dos sinos retumbantes,
Lançando para os céus um brado furibundo,
Como os doridos ais de espíritos errantes
Que a chorar e a carpir se arrastam pelo mundo;

Soturnos funerais deslizam tristemente
Em minha alma sombria. A sucumbida Esperança,
Lamenta-se, chorando; e a Angústia, cruelmente,
Seu negro pavilhão sobre os meus ombros lança!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Ser ou não ser...uma imitação?

Paulo de Tarcio

Ser nós mesmos tem sido uma tarefa difícil nos dias atuais. Muitas coisas - fúteis ou não - têm tomado uma boa parte de nosso tempo e, então, não podemos ser quem realmente somos ou quem deveríamos ser. O que fazer para resgatar a nossa indentidade?
Quase todo mundo tem um ídolo, ao qual, às vezes, deseja ser igual. Essa atitude pode, juntamente com outras, tirar-nos algo que nos foi dado ao nascermos: a nossa identidade. É ela que rege quem somos, o que fazemos e como fazemos. E o ato de ser - ou querer ser - outra pessoa, pode nos tirá-la.
Ser nós mesmos; devemos agir com coragem impondo nosso ponto de vista para mostrar que também somos seres humanos, se esconder atrás das cortinas do palco da vida não é a nossa função. Devemos ir além, não além de nossos limites, mas além da tristeza, do orgulho e da mera imitação do outro. Existem aqueles aos quais o saudoso poeta, Carlos Drummond de Andrade, chama de "outdoors humanos". Aqueles que levam aos outros a ideia de serem pagos para realizarem propagandas de marcas e logotipos. Atitudes que tomamos comumente em nossas vidas.
Não importa a situação, o momento, quem está ali e a consequencia. Devemos ser verdadeiros, proclamando que existimos, que temos o direito de opinar em diversas circunstâncias, de aceitar ou não opiniões e, até mesmo, criticar, quando necessário, objetivando sempre construir, e não destruir. Ser nós mesmos: atitude difícil, mas que precisa ser tomada por cada um de nós ou, então, seremos entregues ao esquecimento, como meras cópias.

Nota: Aqui disponho mais um dos meus textos; como se pode perceber, em outra modalidade: dissertação. A essência da opinião a respeito da manifestação de uma atitude peculiar nas massas populares: a imitação. 

Poesia ambígua

Paulo de Tarcio


Gastei uma hora pensando em um verso
Que a pena não quer escrever.
No entanto, ele está aqui dentro
Inquieto... Vivo
Ele está aqui dentro
E não quer sair.

Gastei uma hora pensando em um verso
Que tenho medo de escrever.
Porém, os olhos falam mais que a boca
E que a pena, também.
Ele está aqui dentro
Mas tenho medo...
Medo de escrevê-lo

Mas...
Pra que mentir?
Por que mentes tanto assim?
Sabes que eu já sei que
Tu não gostas de mim?
Tu sabes que te quero
Apesar de ser traído...
Por teu ódio sincero
Ou por teu amor fingido...

Resta a minha alma solitária
Repudiar versos tranbordantes
E desilusões cortantes...
Não sei se assim, mas sei, apenas, que
A poesia deste momento
Inunda minha vida...
Inteira!


Nota: Fiz esse texto usando de ideias e trechos já construídos por outro autor (Drummond), precisamente na primeira estrofe; o restante da construção foi interligada por pensamentos próprios.

Soneto do Amor Total

Vinícius de Moraes

Amo-te tanto meu amor...não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Para início de conversa...

Paulo de Tarcio

Creio que todos puderam observar o objetivo da criação do "Paradoxo". As palavras, como já disse, fascinam pela sua multifuncionalidade, sua capacidade de ser um instrumento de comunicação em relação ao universal - no sentido de generalidade - e em relação ao EU. É de se apreciar - nos dias sufocantes de hoje - aqueles que gostam de dedicar algum tempo para ler ou escrever, ao invés de dispender atenção às  Bobas Badernas Babélicas, e espero que esse grupo não se disfaça. Usar o potencial das palavras - mesmo em parcialidade - é afirmar-se como um verdadeiro usuário da língua. Por mais complexas que elas possam parecer, há uma forma de desvendá-las, de encontrar o seu verdadeiro valor, apesar de que seja mais evidente um significado enganoso. No entanto, haverão momentos em que elas serão usadas sem nenhuma finalidade semântica. Mesmo assim, em todos os momentos use o seu coração, ponha-se no lugar do irônico (no sentido de concessor de ideias), imagine a experiência, o ambiente, deixe que a sensação o envolva; esses são, e serão, os aliados daqueles que apreciam e lidam com as palavras, que são o "paradoxo essencial". Daqui em diante, colocarei aqui demonstrações dessa apreciação, daqueles que honram a história da Literatura e, vez ou outra, minhas também. Desejo uma ótima leitura - os que preferirem assim, considerem o plural - a todos!