domingo, 28 de fevereiro de 2010

O grande problema moderno

Paulo de Tarcio

A vida é realmente incrível. A forma como as coisas se modificam, se realizam, se constroem é excepcionalmente fascinante.
E muitas das esferas humanas têm se modificado de maneira surpreendente e caótica. Gerando mortes, destruição, dor e sofrimento. Qual a força motriz? A ganância humana. É exatamente o desejo de ter sempre mais e mais que leva o homem a realizar as atrocidades que vem cometendo  desde os primórdios da história da humanidade.
Vê-se nos meios de comunicação, minuto após minuto, a realidade de um planeta em processo de destruição - e temo que ele não renascerá das cinzas, como uma fênix -, que se encaminha a cada dia para a destruição do homem. O que mais chama a atenção é que mesmo com uma demostração clara do futuro em situações presentes, o homem não se dá conta do que faz e se afunda mais e mais em sua desgraça - que soa como prosperidade aos ouvidos dele - marcada e iminente.
O homem busca soluções para os problemas modernos, mas ele nunca os resolverá se não vê-los como consequências do grande problema moderno: o próprio homem. Não é a natureza que está se desfazendo por conta própria, não é o planeta que está se autoconsumindo. É o homem que está modificando a tudo e a todos, tentando se colocar em um ponto alto, tentando se fazer merecedor do podium da existência.
Não se pretende aqui falar ou defender extremos políticos, mas buscar uma forma de tentar parar o processo em que estamos - antes que seja tarde demais -, não é a intenção lançar uma nova utopia porque essa não é a necessidade mais urgente. Temos de nos modificar assim como modificamos a História, ou então, nós seremos a grande utopia.

Nota: Pensa-se: Existe solução para este mundo? Onde está a solução para tudo? Ou melhor, onde reside todo o problema? Espero que o texto ajude-NOS a responder essas perguntas um tanto quanto existenciais. Boa leitura!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Petição sofrimentar...

Paulo de Tarcio

Hoje não fui, não ri, não vivi.
Sonhei, acordei, morri, sofri.
Tentei, mas não busquei, só criei.
Fugi, corri, olhei, fui, me encontrei.
Em meio a tantas e tantas ações,
Me vi embriagado de emoções.
Foram tantas que não consigo explicar.
Conturbavam meu viver, estavam a me matar.
Sei que de todas as ações, uma fiz e refiz:
Tentei ao máximo me fazer amar.
Depois de sobre isso pensar, a poesia, sublimemente, diz:
"Amas de tanto tentar ou por tanto sofrer?"
Para a responder, procuro respostas difíceis de se encontrar.
Então, me resta dizer: Não amo, só busco morrer.
E confirmo em meu sofrer: a morte está no amar!


Nota: Confesso que não é um de meus textos mais organizados semânticamente, o acho meio "versos soltos", com a mínima relação possível entre si. Entretanto, espero que gostem... Boa leitura!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A era dos mosquitos sem asas...

Paulo de Tarcio

Realmente algumas coisas são impressionantes ao ponto de nos fazer refletir. Ontem, observou-se em um telejornal uma pesquisa de cientistas ingleses sobre a redução na infestação da espécie do mosquito transmissor da dengue - acho que todos já conhecem o tal egípcio - como sendo necessária para a redução do nível de manifestação da doença. Até então, isso tudo é muito óbvio. Mas o ponto essencial da matéria foi a solução - um tanto quanto ousada - de resolucionar o problema.
Para os cientistas, em uma era de descobertas mais do que surpreendentes no campo da Genética, o que eles propuseram não seria tão complexo de se fazer: modificar o DNA dos mosquitos machos da espécie, danificando o gene que é responsável pela formação das asas. O objetivo da experiência é fazer com que as larvas, ao passarem para o estágio adulto, tenham as asas mal-formadas ou, até mesmo, que estas não se formem.
Quero que vocês acompanhem minha intenção ao propor essa pesquisa e a analizá-la. Vamos mudar um pouco de visão: passaremos do campo científico para o campo antropológico, social e filosófico; sem faltar - é claro - a própria moral. Esses mosquitos podem ser metaforizados nesse contexto, vamos entendê-los de outra forma, como algo completamente imerso na realidade humana. Como a evolução, o tempo, a vida...
Percebe-se que junto com as asas dos mosquitos se foi a piedade da humanidade, a dignidade do coração dos homens, o amor verdadeiro, a capacidade de questionar atitudes insanas por parte do povo. Junto com as asas dos mosquitos foi-se um país justo, foi-se a confiança no outro, foi-se a vivência da realidade. Junto com as asas dos mosquitos foi-se a sustentabilidade, o futuro sonhado há muito, a plenitude da natureza, os valores morais, o sentimentalismo da alma, foi-se até a própria Razão.
Tudo está se esvaindo e não mais voltando. E, como consequencia, a alma do homem definha mediante tanta ganância, tanta sede de poder. O que mais lamentamos é que isso se vai e arranca de nós parte da boa convivência e, assim, não mais convivemos, só "suportamos".  Por enquanto só se foram as asas - há quem acredita em uma iminente dominação humana -, mas me parece que logo se irão os mosquitos; e aí, pode-se acreditar, nada mais irá com as asas, pois estas já se foram, mas não mais existiremos porque com os mosquitos... irá o TUDO.

Nota: Texto feito em 24/02/2010, com base em uma matéria exibida no JN (TV Globo) em 23/02/2010. Espero que gostem. Boa leitura! 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Condolências...

Paulo de Tarcio

A vida tem os seus pesares
Que a deixam difícil de viver.
E apesar de atravessar mares,
Eu sei que nã há como não morrer.

Mas tenho certeza que eu vivi.
De que de mim, talvez, alguém gostou.
Sem ela, só me resta dizer: Morri!
Mesmo com ela, não posso dizer: Me amou!

Mas em tudo há, sim, algum proveito.
Certamente, com todo o respeito,
Muitos de minha ida gostarão.

E sei que alguém, talvez - não sei -, não!
Mesmo morto, não me será em vão.
Por ela, viverei o poder de uma paixão...

Nota: Um dos meus sonetos preferidos, não muito homogêneo, já que apresenta deca e dodecassílabos. Mas metaforizei aqui uma partida em vida e a transformei na tão temida morte. Boa leitura!

Justificativas de morte

Paulo de Tarcio

Eu a quero mesmo! Eu quero a morte!
É somente isso que sei dizer,
Depois de ter a infeliz sorte
De o seu sincero amor não ter.

Torpes pensamentos vêm a cabeça
E levam minha mente ao escuro.
Mesmo que de tudo eu desconheça,
Sinto que existe algo de puro.

Se já morri, não tenho a certeza.
Mas eu sei: amei com toda destreza.
Pois me encantei por sua doçura.

Eu a amei de uma outra maneira,
Eu dediquei minha vida inteira
Por amor a ti, minha formosura.

Nota: Texto feito, também, em uma de minhas noites de insônias - foram muitas, diga-se de passagem - na qual imaginei a morte como sendo a solução para a vil dor daquele que ama, porém, não é amado.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Duras Reflexões

Paulo de Tarcio

Essa vida tem de tudo! Entre enlaces materiais e espirituais podemos ver como o ser humano é duvidoso - assim como o seu coração também - e traiçoeiro. Mas sem falar só no ser humano e indo para os lados da vida miserável que este vive e suas mazelas, vimos que este tal de ser humano sofre - e muito - com essa maldita sorte de sobrevivência. Não me refiro apenas às dificuldades materiais, mas também às sentimentais. E falo com autoridade porque fui e sou testemunha ocular e - que palavra usar? - sofrimentar (inventei essa agora, quero dizer que sofro também com isso - risos!) disso tudo. O coração paga o preço por envolver-se e afundar-se em ânsias - necessárias - de amar. E este preço faz com que o pobre ser sofra amargurado, perca noites de sono, se lamente, se isole... Ao fim, ele arqueja, anelando, com toda a alma, uma porção - não importa o tamanho - de amor sincero que possa retribuir a entrega dolorosa que o coração desse pobre sapiens sapiens faz.

Nota: Um texto sobre o amor e suas consequências. Espero que tenham entendido o porquê do "Duras" no título. Boa Leitura!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Despedida de um amante

Paulo de Tarcio

Sinto uma sensação horrível, nesta noite terrível.
Sinto algo peculiar, frio, horrendo, insensível.
Há muito senti algo parecido, não igual, semelhante.
Foi quando meu espírito tornou ao estado de amante,
Quando meu coração acelerou, minha respiração ofegou...
O amor me envolveu, me usou, me atrapalhou, me enganou.
Ele me fez rir e chorar, calar e gritar, gostar e... Amar.
Esse sentimento não deixou que eu vivesse a minha vida
Fui induzido a não me viver, mas viver a vida daquela.
Por mais que me dissessem, sozinho eu a via como a mais bela.
Eu a amei, mesmo sem ser amado, a observei e não era notado.
E como o amor pediu, a vivi, apesar de não lhe ser do agrado.
Mas, minha sensação agora não é essa - quem me dera que o fosse.
Sinto algo gélido, macabro, absurdo, inesperado... mas marcado.
Acho que aqui me despedirei, sei que aqui não mais voltarei.
Tentei meus dias prolongar, amar todos, mas não como amei ela.
Fiz tudo, tentei alcançá-la, mas o destino intrometeu-se.
Entretanto não a consegui, minha vida foi em vão...meu amor foi em vão.
Com minhas mãos trêmulas, escrevo que amei mais a ela que a mim...
E, assim, me despeço, mas mesmo morto - como a ela prometi - nunca...
Jamais a esquecerei... Já posso ver o vazio, sem luz ao fim do túnel.
Nunca mais voltarei a ser... a partir de agora vagarei pelo não-ser.
E tudo isso, toda a dor e sofrimento, agora eu sei, tem tudo a ver...
Morri de tanto ela viver...

Nota:Fiz esse texto em uma noite de insônia; pensei em alguns escritores da segunda geração e tentei misturar o romântico em uma estrutura um pouco mais moderna. E vejam no que deu... Boa leitura!

Spleen

Charles Baudelaire

  
Quando o cinzento céu, como pesada tampa,
Carrega sobre nós, e nossa alma atormenta,
E a sua fria cor sobre a terra se estampa
O dia transformado em noite pardacenta;

Quando se muda a terra em úmida enxovia
D'onde a Esperança , qual morcego espavorido,
Foge, roçando ao muro a sua asa sombria,
Com a cabeça a dar no teto apodrecido;

Quando a chuva, caindo a cântaros, parece
D'uma prisão enorme os sinistros varões,
E em nossa mente em febre a aranha fia e tece,
Com paciente labor, fantásticas visões,

-Ouve-se o bimbalhar dos sinos retumbantes,
Lançando para os céus um brado furibundo,
Como os doridos ais de espíritos errantes
Que a chorar e a carpir se arrastam pelo mundo;

Soturnos funerais deslizam tristemente
Em minha alma sombria. A sucumbida Esperança,
Lamenta-se, chorando; e a Angústia, cruelmente,
Seu negro pavilhão sobre os meus ombros lança!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Ser ou não ser...uma imitação?

Paulo de Tarcio

Ser nós mesmos tem sido uma tarefa difícil nos dias atuais. Muitas coisas - fúteis ou não - têm tomado uma boa parte de nosso tempo e, então, não podemos ser quem realmente somos ou quem deveríamos ser. O que fazer para resgatar a nossa indentidade?
Quase todo mundo tem um ídolo, ao qual, às vezes, deseja ser igual. Essa atitude pode, juntamente com outras, tirar-nos algo que nos foi dado ao nascermos: a nossa identidade. É ela que rege quem somos, o que fazemos e como fazemos. E o ato de ser - ou querer ser - outra pessoa, pode nos tirá-la.
Ser nós mesmos; devemos agir com coragem impondo nosso ponto de vista para mostrar que também somos seres humanos, se esconder atrás das cortinas do palco da vida não é a nossa função. Devemos ir além, não além de nossos limites, mas além da tristeza, do orgulho e da mera imitação do outro. Existem aqueles aos quais o saudoso poeta, Carlos Drummond de Andrade, chama de "outdoors humanos". Aqueles que levam aos outros a ideia de serem pagos para realizarem propagandas de marcas e logotipos. Atitudes que tomamos comumente em nossas vidas.
Não importa a situação, o momento, quem está ali e a consequencia. Devemos ser verdadeiros, proclamando que existimos, que temos o direito de opinar em diversas circunstâncias, de aceitar ou não opiniões e, até mesmo, criticar, quando necessário, objetivando sempre construir, e não destruir. Ser nós mesmos: atitude difícil, mas que precisa ser tomada por cada um de nós ou, então, seremos entregues ao esquecimento, como meras cópias.

Nota: Aqui disponho mais um dos meus textos; como se pode perceber, em outra modalidade: dissertação. A essência da opinião a respeito da manifestação de uma atitude peculiar nas massas populares: a imitação. 

Poesia ambígua

Paulo de Tarcio


Gastei uma hora pensando em um verso
Que a pena não quer escrever.
No entanto, ele está aqui dentro
Inquieto... Vivo
Ele está aqui dentro
E não quer sair.

Gastei uma hora pensando em um verso
Que tenho medo de escrever.
Porém, os olhos falam mais que a boca
E que a pena, também.
Ele está aqui dentro
Mas tenho medo...
Medo de escrevê-lo

Mas...
Pra que mentir?
Por que mentes tanto assim?
Sabes que eu já sei que
Tu não gostas de mim?
Tu sabes que te quero
Apesar de ser traído...
Por teu ódio sincero
Ou por teu amor fingido...

Resta a minha alma solitária
Repudiar versos tranbordantes
E desilusões cortantes...
Não sei se assim, mas sei, apenas, que
A poesia deste momento
Inunda minha vida...
Inteira!


Nota: Fiz esse texto usando de ideias e trechos já construídos por outro autor (Drummond), precisamente na primeira estrofe; o restante da construção foi interligada por pensamentos próprios.

Soneto do Amor Total

Vinícius de Moraes

Amo-te tanto meu amor...não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Para início de conversa...

Paulo de Tarcio

Creio que todos puderam observar o objetivo da criação do "Paradoxo". As palavras, como já disse, fascinam pela sua multifuncionalidade, sua capacidade de ser um instrumento de comunicação em relação ao universal - no sentido de generalidade - e em relação ao EU. É de se apreciar - nos dias sufocantes de hoje - aqueles que gostam de dedicar algum tempo para ler ou escrever, ao invés de dispender atenção às  Bobas Badernas Babélicas, e espero que esse grupo não se disfaça. Usar o potencial das palavras - mesmo em parcialidade - é afirmar-se como um verdadeiro usuário da língua. Por mais complexas que elas possam parecer, há uma forma de desvendá-las, de encontrar o seu verdadeiro valor, apesar de que seja mais evidente um significado enganoso. No entanto, haverão momentos em que elas serão usadas sem nenhuma finalidade semântica. Mesmo assim, em todos os momentos use o seu coração, ponha-se no lugar do irônico (no sentido de concessor de ideias), imagine a experiência, o ambiente, deixe que a sensação o envolva; esses são, e serão, os aliados daqueles que apreciam e lidam com as palavras, que são o "paradoxo essencial". Daqui em diante, colocarei aqui demonstrações dessa apreciação, daqueles que honram a história da Literatura e, vez ou outra, minhas também. Desejo uma ótima leitura - os que preferirem assim, considerem o plural - a todos!