quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A era dos mosquitos sem asas...

Paulo de Tarcio

Realmente algumas coisas são impressionantes ao ponto de nos fazer refletir. Ontem, observou-se em um telejornal uma pesquisa de cientistas ingleses sobre a redução na infestação da espécie do mosquito transmissor da dengue - acho que todos já conhecem o tal egípcio - como sendo necessária para a redução do nível de manifestação da doença. Até então, isso tudo é muito óbvio. Mas o ponto essencial da matéria foi a solução - um tanto quanto ousada - de resolucionar o problema.
Para os cientistas, em uma era de descobertas mais do que surpreendentes no campo da Genética, o que eles propuseram não seria tão complexo de se fazer: modificar o DNA dos mosquitos machos da espécie, danificando o gene que é responsável pela formação das asas. O objetivo da experiência é fazer com que as larvas, ao passarem para o estágio adulto, tenham as asas mal-formadas ou, até mesmo, que estas não se formem.
Quero que vocês acompanhem minha intenção ao propor essa pesquisa e a analizá-la. Vamos mudar um pouco de visão: passaremos do campo científico para o campo antropológico, social e filosófico; sem faltar - é claro - a própria moral. Esses mosquitos podem ser metaforizados nesse contexto, vamos entendê-los de outra forma, como algo completamente imerso na realidade humana. Como a evolução, o tempo, a vida...
Percebe-se que junto com as asas dos mosquitos se foi a piedade da humanidade, a dignidade do coração dos homens, o amor verdadeiro, a capacidade de questionar atitudes insanas por parte do povo. Junto com as asas dos mosquitos foi-se um país justo, foi-se a confiança no outro, foi-se a vivência da realidade. Junto com as asas dos mosquitos foi-se a sustentabilidade, o futuro sonhado há muito, a plenitude da natureza, os valores morais, o sentimentalismo da alma, foi-se até a própria Razão.
Tudo está se esvaindo e não mais voltando. E, como consequencia, a alma do homem definha mediante tanta ganância, tanta sede de poder. O que mais lamentamos é que isso se vai e arranca de nós parte da boa convivência e, assim, não mais convivemos, só "suportamos".  Por enquanto só se foram as asas - há quem acredita em uma iminente dominação humana -, mas me parece que logo se irão os mosquitos; e aí, pode-se acreditar, nada mais irá com as asas, pois estas já se foram, mas não mais existiremos porque com os mosquitos... irá o TUDO.

Nota: Texto feito em 24/02/2010, com base em uma matéria exibida no JN (TV Globo) em 23/02/2010. Espero que gostem. Boa leitura! 

2 comentários:

  1. A Humanidade começara apenas com pequenas asas de mosquito,logo depois o homem.

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  2. http://livrepensadoraindividual.blogspot.com/2010/02/o-homo-ignorantia.html dá uma olhada, o Homo Obesus acho que me deu uma inspiração, rsrsrs.

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