quarta-feira, 10 de março de 2010

Incomodação pela acomodação

Paulo de Tarcio

Coagido, indeciso e inerte. É dessa forma, infelizmente, que podemos adjetivar a posição que o povo brasileiro assume ante aos acontecimentos dantescos observados, principalmente, na sede do governo brasileiro.
Essa conjuntura assola os nossos antepassados - que não foram exemplares, mas serviram para alguma coisa - no contexto de lutas, greves e revoltas. Antes se podiam observar pessoas que faziam um Brasil diferente: que se revoltava quando sua ética era ferida e que protegia os seus patriotas. Porém, hoje o silêncio que embota o brasileiro é responsável é também responsável por fazer este tornar o país numa vergonha; um país que disfarça ladrões em roupas caras, que mascara as ligações entre os "peixes grandes", que promove a injustiça em muitos casos - como o de Daniel Dantas, diga-se de passagem - e que, por imprestáveis concede e aceita álibis que a mente humana se recusa e não consegue entender, no entanto a justiça brasileira o faz com extrema perfeição.
E isso não é culpa apenas do governo - como muitos diriam -, nós também somos culpados. Culpados por não falar a verdade. Por medo? Não. Simplesmente, por acomodação. E além do silêncio, há também a corrupção compartilhada. Como Tomé, é difícil acreditar nas promessas de salvação pública que surgem próximo ao sétimo mês de todos os anos pares, porém isso não nos dá o direito de sairmos mundo afora dizendo que TODOS são corruptos - até mesmo porque acabamos por nos incluir ao falar isso - e ao primeiro sinal de suborno vende o seu direito ao voto.
Se analisarmos tal realidade, veremos que, inegavelmente, existem pessoas que não merecem o título que levam. Brasileiro é um adjetivo imerecido por essas pessoas. Entretanto, isso não caracteriza uma desculpa para nos aquietarmos e prosseguirmos para o mesmo caminho. Devemos mostrar quem somos, nossos ideiais e anseios e, em consenso, fazer com que os últimos sejam cumpridos. Não precisamos pintar os rostos, mas temos, urgentemente, que pintar a realidade preto-e-branco que se pode ver hoje em nossa sociedade.
Nota-se, então, que, por coação e indecisão, a população brasileira tem se mostrado silente perante escândalos e tanta promiscuidade. Deve-se, então, incitar o espírito justo de inconformação de um passado que, felizmente, não está distante. Se isso não acontecer, continuaremos caindo no erro de tentar falar dos "outros" e, imperceptívelmente, acabar falando de nós mesmos.

Nota: Acho que o texto se autoexplica, então... Boa leitura! E não acomodem-se perante esse tipo de situação.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Ode ao russo-françês (texto alterado, sugestão de Malthus)

Paulo de Tarcio

Vimos nele a plenitude da arrogância;
Aquilo que nele se vê, não é verdadeiro;
Loucura é o gene dominante da sua ignorância.
A arte de substimar acompanha o agoreiro;
E a humildade não encontra nele abrigo;
Know-how* ele não possui nem com o artigo.

Fidelidade não é algo que o defina;
Realidade nem um pouco o anima;
Então, o que fazer? Como o manter?
Nunca a solução eu irei encontrar;
Tudo é nada no seu ensinar!!!

*Know-how => Conjunto de conhecimentos necessários ao desempenho de uma função ou tarefa

Nota: Fiz esse texto sem muita intencionalidade poética. Alguns sabem a quem ele é dirigido; digamos que ele é um tanto quanto satírico e sarcástico! Boa leitura!