terça-feira, 13 de setembro de 2011

O bom e velho amor!!!

Paulo de Tarcio

"Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?"
Fernando Pessoa


Me acostumei a dizer que meu cupido é meio estranho ou gosta de me ver sofrer (rs!). Mas o que seria da vida sem as suas dificuldades, não é? E nenhuma razão melhor para sofrer do que por amor! Ah, o amor! Tão cruel, ilusório, traiçoeiro. Mas tão adorável, encantador, ludibriante (dependendo do referencial, rs!).

Sempre tive muitas dificuldades com o amor. Não sei bem como explicar isso, mas os sintomas são sempre os mesmos. Vem aquela indecisão ("será que é amor?"), depois a decisão ("é amor, sim!"), depois a decepção (sem comentários, rs!). Acho que deveria ter nascido em pleno romantismo (e na segunda geração) porque a vida não tem sido fácil. Amores inalcançáveis, incorrespondidos, impossíveis. Mas a cada um deles, eu, como um romântico autêntico, me entrego totalmente. Como se aquele fosse O Amor! E, continuo achando, que todos deveriam ser assim!

Sempre pensei que o amor, mesmo não sendo correspondido, é, na maioria das vezes, saudável. É quando estamos amando que vêm as melhores frases (ou não, rs!), as melhores gargalhadas, os melhores abraços, as melhores indiretas (rs!), enfim, o supra-sumo da mente! Mas é também quando amamos que ficamos mais tolos, lentos, iludidos (especialmente) e confusos. Resumindo, o amor mistura todas as emoções possíveis (e ele prefere as antagônicas) e nos deixa assim: completamente abobalhados.O fato é que o amor sempre vai encontrar uma brechinha, por menor que seja. Não importa o quanto você tente evitá-lo (e isso, acredite, é pior, rs!), ele sempre vai dar um jeitinho de nos inundar com suas artimanhas crueis.

Bem, só posso, então, continuar amando a quem o meu cupido louco escolhe. Quem sabe o amor esteja me moldando para alguma coisa. Aos amantes sortudos (que amam e são amados), que continuem sortudos. Àqueles que não tem tanta sorte assim (LIKE MEEEE...rs!) só resta esperar. O amor prega peças, como dizem por aí.

domingo, 28 de agosto de 2011

Pingos




Paulo de Tarcio

Escorrendo... Devagar... Dolorosamente...

Refletindo, no caminho, um mundão num mundinho.

Ora na janela, ora, aqui, no meu olhar que se apaga...

Lá é chuva... Aqui...

Aqui é amar.



Nota: Esse aqui foi feito há pouco tempo. Não teve maturação, algo bem modernista, sem a preocupação que antecede a construção. Foi feito para ser assim: vago, simples, corriqueiro, medíocre, amador. Espero que gostem.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Dedicação

Paulo de Tarcio

Infeliz! Só o que posso dizer... Infeliz!
Será essa minha eterna condição!?
Condenado a estar sempre por um triz?
A poucos passos, hesitante; Que invasão!!!
Esse tal amor é o culpado de toda a minha aflição...
Das sonhos inviáveis, das noites perdidas,
Dos pensamentos distantes, das lágrimas vertidas!

Olho para as pétalas que caem no chão...
elas um dia viveram... hoje, não mais!
Mas, e comigo? Só tu, oh Morte, me daras a mão?
Seria eu o único a chegar e partir, sem ao menos sair do cais?
Não vivi porque fui alienado, todas foram casuais...
Meu sono, minhas lágrimas e alegrias e até a minha dor.
Devotei meus talentos e minha vida ao tal Amor.

E, mesmo agora, prossigo com essa sina.
Escrevo com sangue essa agonia que me alucina.
Meu último suspiro, devoto a minha última amada.
Cumprindo a minha sorte, com a alma pesada,
Digo adeus a todas as que amei, sabendo não ter sido amado.
Uma vez mais, entrego ao Amor, mesmo abismado,
O que ainda resta de mim...
Seguirei meu triste fim!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Sr. Tempo (Mr. Time)

PAULO DE TARCIO
"Depressa: o tempo foge e arrasta-nos consigo: o momento em que falo já está longe de mim." (Boileau , Nicolas)

Sempre gostei muito de admirar tudo que vejo ao meu redor. A forma como as coisas próximas a nós contribuem para mudar-nos sempre foi um objeto de minha atenção. Há muito tempo eu tento entender tudo, mas, como num jogo, eu sempre pulo algo misterioso e escancarado, paciente e irritado, que dá tirando; algo colossal, ou melhor, paradoxal: o Tempo. Sim. Esse velho amigo-inimigo da humanidade faz parte de muitos episódios de ócio nos quais questiono a sua essência, tentando ganhar tempo com novas descobertas. Mas... essa conclusão já me deixa estupefato com a complexidade da consequência de minhas palavras.
Tal fato se dá quando medito que todos nós sempre buscamos ganhar tempo. No entanto, para que queremos ganhar tempo, se tornaremos a gastá-lo? Qual a razão de planejar, calcular e de tentar domar essa fera violenta, se ela se esvairá como a areia que cai em uma ampulheta (Mas uma ampulheta que não pode ser virada)? O tempo deixa em nós marcas. Marcas que nos provam que apenas tentamos. Temos apenas o vão anseio de possuí-lo, de controlá-lo. Só desejamos. Porém, só desejamos até o momento em que nos olhamos no espelho, o amigo do tempo, o encarregado de mostrar a nós que somos tolos o suficiente para perder tempo tentando ganhar tempo. Tolos de tal maneira que nos deparamos com nossas faces caídas, nossos olhos sem brilho, nossas mãos fatigadas e enrrugadas e, mesmo assim, fingimos entender que o tempo se foi, fingimos a alegria de termos vivido. No final das contas, olhamos para o ser que nos tornamos e nos conformamos em pensar que foi um deslize, que não fizemos um bom uso do tempo e que assim foi perdida a chance de mais diversão, de mais amor, de mais amigos, de mais dinheiro, de mais tempo. Triste engano!
Insistimos  no fato de que não soubemos regrar o tempo. Mas não fomos nós. Foi ele. Ele não se permite ser domado ou controlado pelos meros terráquios mortais: a escória do Universo. O Tempo apenas finge. Mas também corre. Talvez ele seja o pai dos ilusionistas, pois, com maestria, ele engana os tolos que o querem aos pés, os tolos que dominam tudo o que pensam ser superior, mas que não passa de uma fração perante aquele que marca os homens com o selo que lhes provoca mais medo: a morte. Sim, o Tempo nos indica o fim da linha. É ele quem determina a porção de si mesmo que será dada aos mortais, às vezes, até mesmo antes de marcar-nos com as faces caídas, olhos escuros, mãos cansadas. É ele que nos molda quando arranca de nós o que amamos, seja o que for. Somos, então, meros escravos. Submissos à vontade inexorável do Tempo, o Maestro que cadencia nossa vã existência. Submissos àquele que brinca conosco como se fossêmos brinquedos que se desgastam na mão de alguém que sempre esteve e estará ali (E não o somos!?).
O Tempo, que nos consome, que nos destitui do cargo de dominadores e nos rebaixa a fantoches nas mãos da eternidade, é um bricalhão. De vez em quando entediado, mas ele tem a nós para distraí-lo. O Tempo é só algo - talvez alguém - que se dividiu e que se conta. Só para passar o tempo. Mas que preferiu os homens para brincar, porque esse tempo nunca...  nunca (ou sempre?) passará!

NOTA: Dessa vez eu prefiro não anotar nada. As condições em que escrevi tal texto ainda estão, para mim, um tanto quanto 'NEBULOSAS'...