sábado, 25 de fevereiro de 2012

Solidão chuvosa, chuvosa solidão



Paulo de Tarcio

Chuva e solidão. Perfeitamente ajustadas.
Mistura pura. Lágrimas doces, lágrimas salgadas.
Olhos voltados para a pergunta sem resposta.
Mente vagando no troco da inexistente aposta.
Violão de acordes frios acompanhando a voz calada.
Escuridão pintando de branco a alma lavada.


Num pequeno canto escondido da pública razão,
Se regenera de forma pulsante, o rígido coração.
Enrolado em trapos, recorda, pomposamente, as dores.
Passeia nas lembranças esquecidas dos velhos amores.
O calor dos antigos tempos congela o passar dos atuais.
Pensa no prazer da liberdade de seguir os manuais. 


O silêncio grita a notável dor inexistente.
Pede auxílio para o maldoso tempo clemente.
Confia com toda veemência na ajuda duvidosa.
Segura a mesquinha certeza da vida generosa.
Olha para o alto, vendo o abismo do imprevisível.
Chora à sombra da dor secreta, que sempre foi irreprimível.



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